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05/jul/2007 - A influência da assertividade na negociação ganha-ganha (2)

Trabalho de Conclusão de Disciplina de Cláudia Mestre

Resumo
Este trabalho é parte da conclusão da disciplina Negociação Interpessoal da Pós-graduação MBA em Gestão Estratégica de T.I., da Faculdade Uirapuru Superior e aborda "A influência da assertividade na negociação ganha-ganha", tendo como fonte principal de pesquisa a dissertação de mestrado da Profa. Vera Lúcia Franco Martins, apresentada na Faculdade Cásper Líbero - São Paulo, em 2004.

1. Introdução

Definitivamente "assertividade" é um tema apaixonante. Partindo-se do fato que diz respeito ao modo como o ser humano se comporta diante das suas relações interpessoais, podemos concluir que não estamos falando tão somente das relações empresariais, foco este sempre escolhido para tratar de temas que possam de alguma forma minimizar os conflitos pessoais dentro das empresas ou mesmo fora delas, mas que envolvam o relacionamento mercantil.

Portanto, tentaremos ir além. Buscaremos demonstrar a importância da assertividade nas negociações ganha-ganha e sua influência direta nas relações humanas e ainda, o quanto os perfis de comportamento (agressivo e passivo) influenciam nesses processos que envolvem as estratégias de negociação.

2. Discussão

A clareza nas relações permite uma comunicação ética, fundamental para o desenvolvimento da confiança entre as partes que buscam, como produto final, o estabelecimento de uma parceria. Isso será possível quando a maturidade e a honestidade forem motivos do foco principal das relações cuja técnica assertiva esteja desenvolvida.

Os quatro estilos de comunicação propostos por Gilles Amado, quais sejam: Afirmação, Argumentação, Empatia e Envolvimento, quando utilizados adequadamente, proporcionam um equilíbrio na comunicação que pode ser chamado de Comunicação Assertiva.

Abaixo, listamos os estilos de comunicação "disponíveis" para qualquer negociador lançar mão quando da elaboração de sua estratégia.

Vale ressaltar que nenhum deles, isoladamente, contempla a situação ideal numa negociação e sim a mescla, na medida exata, de acordo com seus interlocutores.

ESTILOS DE COMUNICAÇÃO
AFIRMAÇÃO
É o predomínio de clareza e da explicitação de suas expectativas.
Consiste em esclarecer seus objetivos e interesses, os limites aceitáveis e regras a serem seguidas. É o posicionamento do eu.

ARGUMENTAÇÃO
É o predomínio de fatos, raciocínio e lógica.
Entende-se argumentação como o ato de convencer o outro a partir de fundamentação clara das idéias e propostas.

EMPATIA
É o predomínio de compreensão do outro.
Consiste em entender o outro e cooperar com ele para estimular sua participação.

ENVOLVIMENTO
É o predomínio de entusiasmo, autoconfiança e exposição pessoal.
Consiste em trazer o foco da situação para a pessoa e assim estimular a participação.

Os quatro estilos de comportamentos quando bem utilizados, flexibilizam e dão ao Processo de Comunicação: Eficiência, Eficácia e Efetividade, ou seja, estabelece-se entre emissor e receptor uma sintonia que possibilita a persuasão e convencimento mútuos.

COMPORTAMENTOS
Descrevemos abaixo, as conseqüências dos comportamentos que aparecem durante a administração de conflitos numa negociação, de modo que percebemos imediatamente a necessidade de desenvolver as habilidades necessárias a uma boa estratégia de comunicação.

Os casais que o digam. Se duas pessoas podem eventualmente ter dificuldades de relacionamento, imagine cinco, vinte ou cem pessoas. As probabilidades de atrito aumentam na proporção direta da quantidade de pessoas envolvidas. Choques de interesses individuais, grupais e organizacionais, extravasamentos de medo, ansiedades e frustrações, luta pelo poder e pelo status, hábitos prejudiciais, neuroses e mudanças estruturais, essas são as principais causas de conflito entre as pessoas em geral, assim como, entre funcionários dentro das empresas.

Certamente, um bom programa de benefícios e incentivos, promoções e salários, assim como uma política em que sejam valorizadas as pessoas, a participação e o trabalho em equipe, em que haja desafios que motivem os colaboradores, diminuem consideravelmente a possibilidade de conflito. Diminuem, mas não eliminam, pois o ser humano é caracteristicamente dinâmico e inquieto em relação a interesses e emoções.

Nem todos os conflitos são necessariamente ruins. Muitos deles funcionam como agentes catalisadores de esforços e idéias. Outros propiciam até melhoria de relacionamento entre as partes, depois de resolvido o confronto. Por que se administram conflitos? Administram-se conflitos por vários motivos: para manter as pessoas motivadas, para manter ou melhorar a produção ou serviço, para facilitar o trabalho em equipe e para poder gerenciar mudanças.

Vejamos as principais características de cada comportamento:

Comportamento Agressivo:
Perde o controle da situação e se depois se arrepende
Falta com respeito a si e ao outro
Revela mais do que gostaria
Promove distanciamento e não resolve o problema

Comportamento Passivo:
Não assume e nem enfrenta os problemas de frente
Não acredita que possa influenciar o andamento da negociação
Fica sem energia e aborrecido
Sai da negociação com baixa auto-estima

Comportamento Agressivo-Passivo
Apresenta comportamento misto
Ansioso
Procuram afirmação (sem ter poder para tanto)

Comportamento Assertivo
Aceita pedido e recusa de si e do outro
Aceite erros e acertos de si e do outro
Aceita suas responsabilidade e cobra do outro
Respeita seus limites e os do outro
Está bem consigo mesmo

NEGOCIAÇÃO GANHA-GANHA
Uma "Negociação Ganha-Ganha", também chamada de "Negociação Mutuamente Benéfica", tem que contar, necessariamente, com vários fatores relacionados à personalidade e comportamentos, já citados, de seus interlocutores para que ambos os lados possam ter sucesso.

Esses cenários de "ganha-ganha" são especialmente desejáveis quando as partes trabalham juntas no dia-a-dia. Uma batalha mal-travada na qual uma pessoa ganha e a outra sofre uma derrota esmagadora, poderá interferir em negociações futuras e interromper completamente a comunicação.

Disputas não têm lugar em boas negociações. A força verdadeira vem de deixar a mesa de negociações com todos sentindo que se saíram bem.

Considerando esses aspectos, talvez a Ética seja uma das principais características que deve predominar no espírito de ambos os negociadores.

Importante a diferença entre Ética e Moral, uma vez que é muito comum as pessoas entenderem esses dois aspectos como sinônimos.

Vera Martins, em sua tese, nos aponta a "Ética como a reflexão da ação do homem sobre o que é bom ou mal e a Moral que estabelece as regras que são assumidas pela pessoa, determinando seu comportamento frente aos outros".

Negociadores que superam as expectativas "entram nas cabeças" das pessoas com quem lidam, sejam elas colegas ou clientes potenciais. "Entrar dentro da cabeça" de alguém, algumas vezes, significa deixar de lado objetivos óbvios e analisar objetivos específicos, ou seja, para usar uma palavra mais descritiva, "razões". Determinar as suas razões e as daquela pessoa com quem você está negociando irá revelar os obstáculos, antes que eles ocorram.

A identificação dos objetivos e das razões de ambos os lados, a elaboração de um plano para atingir o resultado desejado e a tentativa de prever a estratégia de negociação dos parceiros são os passos preliminares para uma negociação mutuamente benéfica bem-sucedida.

Negociar é uma das habilidades mais importantes para o sucesso pessoal e profissional de qualquer pessoa, sendo esta, a aptidão que nos diferencia dos outros seres vivos. Permite-nos chegar a acordos em situações em que existem interesses comuns ou divergentes. E neste processo relacional, os conflitos de vontades, questões de ego ou vaidades, só fazem as pessoas perderem de vista os seus próprios interesses, pois numa negociação, tal como na vida, vencem apenas aqueles que têm níveis de aspiração realistas.

Contudo, como em qualquer outro processo na nossa vida, em uma negociação também podemos cometer erros, portanto, a posição do indivíduo perante o acordo é avaliada com base em características psicológicas que, impreterivelmente, determinam o sucesso negocial.

Características da postura Ganha-Ganha

* Postura acessível e firme
*
Objetivo = Cada um deve ganhar o que tem direito
*
Percepção do outro = igualdade
*
Bom ouvinte
*
Expressa-se com clareza e objetividade
*
Seguro e respeita o outro
*
Não barganha e sim negocia com base em princípios

ASSERTIVIDADE
A definição da palavra "assertividade" vem do sentido de "asserção", "afirmação", ou ainda, segundo o dicionário Aurélio "ato pelo qual se declara verdadeiro um juízo ou uma proposição, sem se levar em conta a forma afirmativa ou negativa que apresentem".

Em sua tese, Vera Martins apresenta, filosoficamente, assertividade como "uma comunicação criativa, transparente, na qual as pessoas expressam suas necessidades, pensamentos e sentimentos de forma honesta e direta, sem violar os mesmos direitos dos outros".

Comunicação Assertiva
A comunicação assertiva se refere a uma amplitude positiva de soluções ganha-ganha, nas quais os dois lados sentem-se confortáveis e comprometidos com os resultados. Ser assertivo é:

Ser claro e conciso em suas relações evidenciando conscientemente o seu posicionamento.
Dizer sim ou não quando necessário e adequado, defendendo seus direitos quando apropriado.
Saber expressar seus sentimentos.
Ajudar a si próprio a desenvolver sua auto-confiança, melhorando sua auto-estima.
Escolher o rumo que deseja dar a uma situação.
Conseguir mudar seu próprio comportamento, quando este for inadequado.
Pedir aos outros para mudarem seus comportamentos inadequados.
Assumir a responsabilidade pela própria vida e pelos relacionamentos que desenvolve com outros.

Para que a assertividade ocorra é necessário entender que a percepção do emissor e do receptor são fatores preponderantes no processo de comunicação e também devem estar desenvolvidas.

3. Conclusão

Um assunto amplo como este não pode ser condensado em algumas poucas páginas de um trabalho acadêmico e nem era esta a pretensão desta apresentação.

Fica evidente, no entanto, o quanto a assertividade pode determinar os rumos de uma negociação e defini-la dentro de um processo ganha-ganha, satisfazendo todas as partes envolvidas.

Naturalmente, fizemos um breve passeio pelos conceitos mais importantes sobre este assunto, mas o suficiente para concluirmos, que a formação dos gestores do nosso país precisa valorizar esses aspectos que atormentam as pessoas dentro e fora das empresas, seja na figura de seus diretores, seja na figura de seu corpo funcional. Muitas vezes, estes últimos aguardam que a visão da empresa seja um pouco menos míope, ainda vinculada aos modelos do século passado e permitam a atenção tão necessária para a valorização, motivação e conseqüentemente, o aumento da produtividade.

Precisamos lembrar que bons gestores, são, via de regra, boas pessoas.

4. Referências

Martins, Vera Lúcia Franco (2004), Dissertação "A influência da assertividade na comunicação da empresa com o mercado".
Sites:
http://www.assertiva.com.br

http://www.caliper.com.br/novo_site/artigo_desc.php?cod=10 - down_123

http://www.estig.ipbeja.pt/~pmmsc/nt1/excesso_de_confianca_negocial.pdf

http://www.quebrandobarreiras.com.br/layout.asp?codigo=74

http://carreiras.empregos.com.br/carreira/administracao/comportamento/030203-assertivo_wellington.shtm


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