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Paula Martucci *
Não é novidade que a música é um dos estímulos mais tocantes ao ser humano.
Seja pelo ar, pelo tato ou pela vibração, a música pode ser ouvida ou
sentida pelo homem. O corpo torna-se uma grande caixa de ressonância.
Há tempos já existem estudos que falam sobre a experiência musical por
meio da vibro-acústica, assim como já existem estudos de Musicoterapia
aplicada em Deficientes Auditivos. Para a música, não existem barreiras
físicas que impeçam o ser humano de ouvi-la, seja de que forma for.
É por meio dela que o ser humano pode se comunicar e estabelecer relações sócio-culturais.
A transferência de valores de um indivíduo para o outro é que enriquece o "ser" humano.
Desde a vida intra-uterina, o som em suas mais diferentes formas, emitidos de
diversas fontes, estabelece relações com os seres humanos e conseqüentemente,
começa a fazer parte da identidade e da história musical de cada um.
Em 2007 realizei um estudo sobre a influência da Musicoterapia na diminuição
dos sintomas de estresse. Foi realizado em uma empresa de segmento comercial,
e o foco foi trabalhar com uma equipe de vendas por telemarketing. Esta
experiência trouxe benefícios imediatos para este grupo, que trabalhava
sob pressão e sofria as conseqüências do acúmulo excessivo de trabalho.
As pessoas que foram submetidas às sessões de Musicoterapia, declararam
que a sensação obtida após a experiência com música e eletro-estimulação,
trouxe além de conforto físico e mental, a possibilidade de atingir níveis
profundos de relaxamento. Os relatos também constataram que após as sessões,
a disposição para voltar ao trabalho foi aumentada, devido à sensação
de bem estar provocada pelo relaxamento profundo. Estar com a mente descansada
ajudou a retomar com mais tranqüilidade a rotina turbulenta de trabalho.
Pude comprovar que a Musicoterapia atuou com
eficiência e eficácia na
diminuição do desconforto físico e mental causado pelo estresse. Para
isso utilizei além de técnicas Musicoterápicas, uma técnica auxiliar
que tem como princípio básico a indução a ondas alpha, atuantes no relaxamento
muscular. Quanto maior a qualidade no relaxamento, maior é o seu benefício.
Essa condição de bem-estar provocada pela Musicoterapia pode trazer inúmeros
benefícios para o funcionário que está acostumado a lidar com situações
de pressão e estresse. A diminuição dos sintomas do estresse não quer
dizer que a causa foi tratada, e sim, que a manifestação destes sintomas
foi minimizada pelos efeitos do relaxamento profundo e de qualidade.
Quanto maior a freqüência de sessões, mais duradouros serão os efeitos
do relaxamento. É como se o cérebro aprendesse e se reeducasse diante
do estímulo musical.
O estresse causa queda na produtividade, insatisfação com o trabalho,
desmotivação para liderar e deixa um rastro de negatividade no ar. Assim
como qualquer outra ciência terapêutica, a Musicoterapia pode contribuir
como agente desestressor e causador de bem-estar, com a vantagem de poder
obter resultados expressivos à curto prazo, sem grandes custos para organização,
e principalmente, agindo diretamente na satisfação e qualidade de vida
do colaborador.
Promover atividades como a Musicoterapia na
empresa pode ser uma ferramenta estimulante
da satisfação do colaborador, atuando, também, como programa
de qualidade de vida inserido em uma estrutura de gestão focada na obtenção
de resultados e como incremento da produtividade organizacional. Integrar
as áreas operacionais, táticas e gerenciais de uma organização em torno
de um projeto deste tipo, traz outros tipos de benefícios além da valorização
da qualidade de vida. Por meio da música é possível trabalhar com contextos
motivacionais, de integração, liderança e cultura organizacional.
Implantar melhorias no ambiente de trabalho
deve ser tarefa constante de todas as áreas envolvidas com o desenvolvimento humano, mas não exclui
a participação e colaboração de todos os funcionários. A empresa deve
praticar ações que envolvam os colaboradores de todos os níveis e parceiros,
desde o projeto até a implantação dos programas. Afinal, todos serão
beneficiados.
De maneira geral, a fotografia da cultura organizacional
no Brasil, ainda não é fortemente favorável à implementação desse tipo de programa nas
empresas, apesar de existir forças para que este cenário mude cada vez
mais para melhor. Pode-se aproveitar muito mais desta fonte natural e
gratuita que é a musica, como fonte de pesquisa e sua aplicabilidade
no aumento da produtividade. Ainda pode-se levar em conta que a música é uma
das poucas linguagens universais e está presente em todas as culturas
do mundo. É um material muito rico para ser desperdiçado.
Já que a música é um objeto de acesso gratuito, posso concluir que para
proporcionar bem-estar a si mesmo, é necessário apenas um pouco de tempo
para cuidar de si mesmo e uma boa dose de música.
* Paula Martucci é musicoterapeuta
e Pós-Graduada em Gerenciamento Estratégico
de Recursos Humanos. Atua no Tratamento e Prevenção
do Estresse.
Este artigo é fruto de um estudo de caso publicado em forma de trabalho
acadêmico: "A Musicoterapia e o Estresse no Trabalho" sob a orientação
da Profª Vera Martins.
E-mail: paulamartucci@hotmail.com
Tel: (11) 9391.5556
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