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*Nelson Moschetti
Em 281 a.C., Pirro, Rei de Epiro, pretendia conquistar
Roma, o Perigo do Ocidente, da mesma maneira que Alexandre conquistara
a Pérsia, o perigo do Oriente. Para perseguir esse intento, atravessou
o Mar Jônio (Adriático) com um exército considerável, composto
de 25 mil homens de infantaria, 3 mil de cavalaria e 20 elefantes.
Derrotou os romanos em Heracléia, sofrendo,
no entanto, perdas enormes em homens e material.
Quando Pirro recebeu de um oficial o cumprimento
pelo triunfo, respondeu: "Mais uma vitória
como essa e estarei arruinado". Essa é a origem
histórica da expressão “Vitória de Pirro”,
que nos fornece a oportunidade de reflexão
e analogias.
Na esfera familiar, os conflitos geralmente
estão longe de uma situação
de guerra, surgindo naturalmente do relacionamento entre os seus membros –onde
muitas vezes as energias são mobilizadas para verificar qual vontade
prevalecerá. Nas empresas, comumente assistimos às batalhas travadas
entre duas áreas, em meio a um clima predatório, onde o sucesso de uma área
implica no fracasso da outra.
No campo das relações capital x trabalho, há ocorrência de dificuldades,
praticamente insuperáveis, quando os representantes das partes adotam
premissas comportamentais rígidas, tais como: “não podemos tolerar que...”, “não
negociamos sob pressão...”, “não sou homem do voltar atrás...”.
Em todas essas situações as partes envolvidas deixam de atentar para
a adequação entre a quantidade dos recursos empregados e os resultados
obtidos. E o que é mais grave: não analisam as seqüelas do dia seguinte.
Seguramente, marido e mulher, pai e filho, chefe e subordinado, líder
sindical e representante patronal terão outras situações de conflito
para serem gerenciadas no futuro.
Muitos consideram que a Segunda Guerra Mundial
foi a última batalha da
Primeira Guerra. O Tratado de Versalles, que após a Primeira Guerra impôs
duras condições aos vencidos, acabou propiciando o clima para o surgimento
do Nazismo e, conseqüentemente, da Segunda Guerra.
É possível fugir da dicotomia vencedores-vencidos. Para tanto, as incompatibilidades
devem deslocar-se das pessoas ou grupos para o conteúdo do conflito. Em outras
palavras: há um problema comum a ser solucionado e não um “Braço de Ferro” que
implica, necessariamente, a imposição da vontade de um dos contendores sobre
o outro.
Nesta postura (Braço de Ferro), o que fica subjacente é a idéia rígida
de ir até o fim, custe o que custar. Paralelamente à solução centrada
no problema e não nas pessoas, vale a pena um exercício de reflexão sobre
o nosso comportamento na administração de conflito, em situações concretas.
Essas vivências são excelentes pistas para percebermos a importância
dos sentimentos que são gerados tanto em nós quanto na outra parte. Eles
podem tornar difícil o relacionamento futuro entre as partes, se os ressentimentos
criados não forem superados. Um possível conflito futuro já terá uma
espoleta previamente instalada.
Para perceber como estamos saindo de um conflito,
podemos nos perguntar: Como estou ao final
dessa negociação? Qual é o sentimento? Alegria? Frustração?
Raiva? Felicidade? Devemos ainda procurar imaginar como a outra parte
está sentindo. Quais os sentimentos presentes. As respostas podem medir
a efetividade da nossa competência em gerenciar conflitos sem plantar
uma guerra para a próxima vez.
É a forma de libertar-nos da miopia do curto prazo em direção a um clima de parceria
entre as partes. Retomemos à História Antiga. Nove anos após a vitória de Pirro
em Heracléia, os gregos foram subjugados pelos romanos. Começava, dessa maneira,
o crescimento do Império Romano.
Assim como na Guerra, a maioria das batalhas
do dia-a-dia não é definitiva.
Voltamos a nos defrontar, geralmente, com os mesmos “adversários”. Uma “Vitória
de Pirro” sobre nossos filhos, nossos clientes ou outras áreas da empresa,
não é a última batalha, pois os “Romanos podem voltar...”.
* Nelson Moschetti é advogado,
sociólogo e diretor de RH da RCS Consultores
Fonte: http://www2.uol.com.br/canalexecutivo/artigosju5.htm
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