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*Eraldo Alves Cruz
Na gaveta, para não ser utilizada como a maioria dos itens
que lá estão! Talvez até na famosa gaveta do tempo, que é aquela
que nós colocamos tudo aquilo que não vamos utilizar ou que não
podemos resolver, porque cabe ao tempo faze-lo.
Sempre houve o famoso desconto. Quando, ao
longo da história hoteleira,
passávamos por crises, o desconto era a bala na agulha para equilibrar
a oferta entre iguais e desiguais. Era comum hospedarmos e ficarem felizes
com 20% ou 30% de desconto, 50% de desconto era prêmio de colega para
colega, quem recebia empunhava a orgulhosa bandeira de amigo do peito
com muito prestígio junto a um determinado hotel.
Era tão difícil o desconto de 50% que o mercado, entre colegas, conforme
a importância e o interesse, começou a estabelecer parâmetros de 20%
no máximo 30% de desconto. Se não se sabia quem era, só 10%.
Bons tempos onde o hoteleiro tinha controle
da situação, diária média
sequer era preocupação. Importante era estufar o peito e decretar: minha
diária é x dólares.
O tempo foi passando, foram chegando novas
operadoras e administradoras de hotéis, precedidas
por um enxame de flats que sempre funcionaram
como Hotel.
Este fenômeno previsível, mas não previsto, levou o mercado a nominar
os famosos descontos como tarifas corporativas. Iniciaram com uma tarifa
média que representava 20% de desconto que foi se estendendo de acordo
com a cara do cliente. A época já convivíamos com as “tarifas de operadoras”,
as especiais de Cias Aéreas e tantas outras. Interessante constatar que
em todas etapas as tarifas sempre partiam da famosa tarifa balcão de
cima para baixo.
O tempo não nos permitiu mudar o status da tarifa balcão e aos poucos
fomos nos distanciando destas. Com o fenômeno de novos flats travestidos
de hotéis, resultado de investimentos individuais da classe média e empresarial
brasileira, passamos a conviver com uma tarifa nominada de “tarifa determinada” que é pura
e simplesmente aquela que é desejada pelo cliente. Hoje é comum receber
uma carta circular de multinacional pedindo preços e determinando: o
máximo que queremos pagar é x real. E isto só tem ocorrido porque esquecemos
de abrir a gaveta do tempo para de lá tirar a tarifa balcão e faze-la
caminhar pelos ávidos olhares de nossos colegas que ficaram adormecidos
no tempo, tal a força do tapa levado da concorrência entre aspas internacional.
A impressão que passamos à sociedade é a de que o hoteleiro não faz contas
ou tem outros negócios, pois para alguém que puxa do lápis com um bloco
quadriculado de papel e aplica os “noves fora” jamais conseguira zerar
as contas.
Quem pagar “full taxes” de todos os impostos no dia e hora, definitivamente
não conseguirá a rentabilidade do seu patrimônio.
Para tirar da gaveta do tempo é preciso estabelecer um elo de união,
aquele que só existe nas catástrofes e na dor do bolso. É necessário
coragem individual para estabelecer a coletiva. Como cidadãos, recebemos
todo dia, comunicados de aumento de tarifas de água, luz, escola dos
filhos e do celular que usamos. Como hoteleiros, os comunicados além
de serem rigorosamente iguais se agravam pelo fato de que somos uma espécie
de fiéis depositários de centenas de milhares de funcionários. É, portanto
chegada a hora de tentarmos nos aproximar das nossas famosas tarifas
balcão, tirando-as definitivamente da gaveta.
Fonte: http://www2.uol.com.br/canalexecutivo/artigosm8.htm
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