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*João Amato Neto
Dentre as três grandes
empresas de capital estrangeiro que atuam no Brasil na área de
semicondutores, somente duas investem sistematicamente em atividades
de P&D no País. Porém, nenhuma delas sinaliza quaisquer perspectivas
de realizar investimentos diretos em plantas produtivas, pelo menos
em curto ou médio prazo. Assim, ampliam-se as oportunidades que
a indústria de semicondutores apresenta para novos investimentos
diretos, em segmentos que, devido à sua reduzida escala de produção,
não são atraentes às grandes companhias globais.
As áreas que se mostram promissoras como
bom negócios são backend para PC´s (SDRAM,
SRAM, Flash), backend para telecomunicações
(placas de CI e memórias Flash), chips dedicados
para automação industrial, chips dedicados
para usuários específicos como a indústria
automobilística, automação industrial e eletrônica
de consumo. Também é importante ressaltar um
setor já tradicionalmente usuário desses componentes,
o de produtos da eletrônica de consumo. Trata-se
de mercado importante, principalmente para
o Brasil que está prestes a definir o padrão
tecnológico da TV Digital. Isto provocará efeitos
diretos à montante na cadeia produtiva, impactando
diretamente a produção de vários componentes
eletrônicos, principalmente semicondutores.
Nesse segmento, projeta-se crescimento de 10%
a 12% ao ano. A transição
de produtos analógicos para digitais, como DVDs e DTVs, a convergência
tecnológica entre PCs e produtos de eletrônica de consumo digitais, dentre
outros, constituem-se na base para o crescimento desse mercado. Para
enfatizar a importância que tal fato representa para o futuro da indústria
no Brasil, os negócios envolvendo a TV Digital deverão movimentar cerca
de US$ 10 bilhões de investimentos dos fabricantes nos próximos dez anos,
além de mais de US$ 1,5 bilhão das emissoras.
Cabe, ainda, citar alguns outros mercados emergentes
e promissores para a indústria de semicondutores: cartões inteligentes (smart-cards), equipamentos
e dispositivos para automação industrial, automação predial e residencial,
equipamentos médico-hospitalares, instrumentação médico-odontológica,
indústria de brinquedos e até mesmo em setores mais tradicionais da economia
como na agropecuária, na qual já é possível utilizar chips para a identificação
de gado e outros animais.
Pode-se concluir que, apesar de ainda serem
reduzidas as atividades de produção de componentes semicondutores no Brasil (estas, quando existem,
restringem-se a alguns nichos específicos de mercado ou se referem aos
elos finais da cadeia produtiva), há muitas oportunidades para futuros
investimentos diretos, principalmente quando se visualiza um horizonte
de tempo mais longo, em função de alguns objetivos estratégicos, tais
como a criação e o desenvolvimento de quadros de pesquisadores, técnicos
e engenheiros altamente qualificados neste setor de ponta no complexo
eletrônico.
Fonte: http://www2.uol.com.br/canalexecutivo/artigosf3.htm
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