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16/Set/2008 - Eureca nos Recursos Humanos!

EURECA!, que quer dizer "ACHEI!", é a expressão utilizada até hoje para a descoberta e é atribuída a Arquimedes (287-212 a.C.), que assim exclamou ao descobrir, depois de muito estudo, a maneira de medir o volume de um sólido irregular e, portanto, criando uma forma de medir a pureza de um objeto de ouro.

A sensação eureca também é aquela que os inovadores têm quando imaginam algo novo através de uma boa idéia. Mas e daí? Essa é a pergunta que vem em seguida para grande parte dos inovadores. Seja ele um funcionário em uma fábrica ou um executivo. Alguns falam: "Vou compartilhar essas idéias com alguém". Outros dizem: "vão achar que eu sou louco". Outros pensam: "De que serve pensar isso, se o meu chefe nunca vai me ouvir?". E quando a idéia é realmente boa, mas ninguém dá atenção? O que acontece?

Muitas vezes, as pessoas procuram seus próprios meios de concretizá-las. Clayton Christensen, em seu livro "O dilema do Inovador", dá vários exemplos de engenheiros frustrados de empresas estabelecidas no setor de discos rígidos de computador que, depois de não serem ouvidos, resolveram montar suas próprias empresas e chegaram a desbancar o mercado daquelas que antes os contratavam. Ele cita os seguintes casos: os fundadores da Conner Peripherals (discos de 3,5 polegadas) que saíram da Seagate e da Miniscribe (discos de 5,25 polegadas); os fundadores da Micropolis (discos de 8 polegadas) que saíram da Pertec (discos de 14 polegadas); e os fundadores da Shugart e Quantum que saíram da Memorex.

As próximas perguntas importantes são: Qual a verdadeira motivação que estes engenheiros frustrados tiveram para sair e montar uma nova empresa? Será que se eles tivessem sido ouvidos, eles receberiam um bom reconhecimento por suas idéias ou receberiam apenas uma "tapinha" de parabéns nas costas? Esse é um grande dilema dentro de qualquer organização que pretende ser inovadora. Assim, no momento em que alguém pensa "E agora?", faz-se necessário que a organização tenha um bom programa de incentivo para estimular as pessoas a utilizarem sua imaginação e compartilharem suas idéias.

É aí que a Eureca entra porta adentro do setor de Recursos Humanos que, segundo reza a prática, tem a função de elaborar os programas de incentivo dentro das organizações. Mas será que esta área está preparada para isso? Ou será que programas de incentivo estão mais ligadas às vendas, objetivos gerais com os resultados financeiros da empresa ou específicos de cada área da organização?

Como se sabe, um bom programa de incentivo pressupõe a meritocracia (do latim mereo, merecer, obter) baseada em resultados concretos, e a credibilidade do processo de reconhecimento. Do contrário, reconhecer pessoas que não geram valor real funciona como um fator de motivação reversa para aqueles que realmente fazem a diferença. Acreditem, isso acontece! Além disso, não ter critérios claros de reconhecimento também é motivo para que as pessoas não se sintam seguras em dar à organização suas melhores idéias.

Quando se trata de inovação, temos que lembrar que estamos lidando com que coisas novas e muitas vezes difíceis de mensurar e, portanto, difíceis de remunerar ou reconhecer. Assim, há de se desenvolver um programa específico para cada empresa de acordo com a indústria de atividade.

Um exemplo de programa de incentivo eficaz voltado para a inovação é o da Interdigital, uma empresa que desenvolve tecnologias wireless e que tem contribuído para mudar a face das telecomunicações no mundo inteiro. Nela, os funcionários que participam de uma invenção patenteável recebem ações da empresa, prêmios em dinheiro e outros benefícios. A Interdigital detém 116 patentes e gera aproximadamente US$ 200 mil de lucro por colaborador todo ano.

Existem muitos adeptos da idéia de que dinheiro não é a melhor forma de motivação e que existem outros meios de reconhecimento mais eficientes (ou mais baratos!). Mas a verdade é que quase todo mundo gosta de dinheiro (para não dizer todo mundo que vive do capitalismo), principalmente quando se trata de uma idéia que gera dinheiro para a organização.

Eu, particularmente, acredito em reconhecimentos adequados ao tipo de valor gerado, ou seja, se o valor gerado é em dinheiro, então o reconhecimento deve ser em dinheiro ou similar (bônus, stock options etc.). Se o valor gerado pelo inovador é de efeito moral ou intangível, o reconhecimento deve ser em valor moral, ou seja, do tipo "honra ao mérito", um prêmio, cujo valor é intrínseco, como, por exemplo, uma viagem ou uma medalha.

Muitas empresas adotam as chamadas "stock options", títulos de ações da empresa em um valor a ser resgatado no futuro caso o funcionário continue na empresa. Este tipo de incentivo é muito eficaz em manter os bons talentos dentro da organização desde que realizados com clareza e meritocracia. Aliás, qualquer que seja o incentivo, este deve ser grande o bastante para fazer a diferença, caso contrário, não há incentivo, apenas boa vontade sem real compromisso por parte da organização.

Por isso, bons programas de incentivo são muito importantes. E assim, sejamos justos, importantes demais para serem deixados apenas sob a responsabilidade dos executivos da área de Recursos Humanos. Eles devem ter sua elaboração compartilhada com a intensa participação dos mais altos responsáveis pela organização, possivelmente pelos próprios acionistas. Na prática, o que acontece é que os altos executivos, no máximo, aprovam as políticas de incentivo apenas com vistas ao curto prazo e sem uma visão estratégica atrelada a este importante instrumento de gestão da inovação.

Dois cuidados importantes devem ser tomados com relação aos programas de incentivos: primeiro, a organização pode conseguir o que está premiando, mas não o que esperava alcançar e, segundo, os incentivos podem não ser suficientemente flexíveis para promover as mudanças necessárias dentro da organização. Ou seja, deve-se pensar cuidadosamente sobre o assunto para não perder os valiosos recursos aplicados no seu programa de incentivos.

Agora que você tem pessoas motivadas a utilizar a imaginação e, possivelmente, gritando Eureca! Eureca! em nome da organização, precisa preocupar-se em descobrir a pureza do ouro das suas inovações, ou seja quais são as suas melhores idéias.

E-mail: http://jc.uol.com.br/2007/06/12/not_141625.php


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