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EURECA!, que quer dizer "ACHEI!", é a
expressão utilizada até hoje para a descoberta e é atribuída
a Arquimedes (287-212 a.C.), que assim exclamou ao descobrir,
depois de muito estudo, a maneira de medir o volume de um sólido
irregular e, portanto, criando uma forma de medir a pureza de
um objeto de ouro.
A sensação eureca também é aquela que os inovadores têm quando imaginam
algo novo através de uma boa idéia. Mas e daí? Essa é a pergunta que
vem em seguida para grande parte dos inovadores. Seja ele um funcionário
em uma fábrica ou um executivo. Alguns falam: "Vou compartilhar essas
idéias com alguém". Outros dizem: "vão achar que eu sou louco". Outros
pensam: "De que serve pensar isso, se o meu chefe nunca vai me ouvir?".
E quando a idéia é realmente boa, mas ninguém dá atenção? O que acontece?
Muitas vezes, as pessoas procuram seus próprios meios de concretizá-las.
Clayton Christensen, em seu livro "O dilema do Inovador", dá vários exemplos
de engenheiros frustrados de empresas estabelecidas no setor de discos
rígidos de computador que, depois de não serem ouvidos, resolveram montar
suas próprias empresas e chegaram a desbancar o mercado daquelas que
antes os contratavam. Ele cita os seguintes casos: os fundadores da Conner
Peripherals (discos de 3,5 polegadas) que saíram da Seagate e da Miniscribe
(discos de 5,25 polegadas); os fundadores da Micropolis (discos de 8
polegadas) que saíram da Pertec (discos de 14 polegadas); e os fundadores
da Shugart e Quantum que saíram da Memorex.
As próximas perguntas importantes são: Qual a verdadeira motivação que
estes engenheiros frustrados tiveram para sair e montar uma nova empresa?
Será que se eles tivessem sido ouvidos, eles receberiam um bom reconhecimento
por suas idéias ou receberiam apenas uma "tapinha" de parabéns nas costas?
Esse é um grande dilema dentro de qualquer organização que pretende ser
inovadora. Assim, no momento em que alguém pensa "E agora?", faz-se necessário
que a organização tenha um bom programa de incentivo para estimular as
pessoas a utilizarem sua imaginação e compartilharem suas idéias.
É aí que a Eureca entra porta adentro do setor de Recursos Humanos que, segundo
reza a prática, tem a função de elaborar os programas de incentivo dentro das
organizações. Mas será que esta área está preparada para isso? Ou será que programas
de incentivo estão mais ligadas às vendas, objetivos gerais com os resultados
financeiros da empresa ou específicos de cada área da organização?
Como se sabe, um bom programa de incentivo
pressupõe a meritocracia (do
latim mereo, merecer, obter) baseada em resultados concretos, e a credibilidade
do processo de reconhecimento. Do contrário, reconhecer pessoas que não
geram valor real funciona como um fator de motivação reversa para aqueles
que realmente fazem a diferença. Acreditem, isso acontece! Além disso,
não ter critérios claros de reconhecimento também é motivo para que as
pessoas não se sintam seguras em dar à organização suas melhores idéias.
Quando se trata de inovação, temos que lembrar que estamos lidando com
que coisas novas e muitas vezes difíceis de mensurar e, portanto, difíceis
de remunerar ou reconhecer. Assim, há de se desenvolver um programa específico
para cada empresa de acordo com a indústria de atividade.
Um exemplo de programa de incentivo eficaz
voltado para a inovação é o
da Interdigital, uma empresa que desenvolve tecnologias wireless e que
tem contribuído para mudar a face das telecomunicações no mundo inteiro.
Nela, os funcionários que participam de uma invenção patenteável recebem
ações da empresa, prêmios em dinheiro e outros benefícios. A Interdigital
detém 116 patentes e gera aproximadamente US$ 200 mil de lucro por colaborador
todo ano.
Existem muitos adeptos da idéia de que dinheiro não é a melhor forma
de motivação e que existem outros meios de reconhecimento mais eficientes
(ou mais baratos!). Mas a verdade é que quase todo mundo gosta de dinheiro
(para não dizer todo mundo que vive do capitalismo), principalmente quando
se trata de uma idéia que gera dinheiro para a organização.
Eu, particularmente, acredito em reconhecimentos
adequados ao tipo de valor gerado, ou seja,
se o valor gerado é em dinheiro, então o reconhecimento
deve ser em dinheiro ou similar (bônus, stock options etc.). Se o valor
gerado pelo inovador é de efeito moral ou intangível, o reconhecimento
deve ser em valor moral, ou seja, do tipo "honra ao mérito", um prêmio,
cujo valor é intrínseco, como, por exemplo, uma viagem ou uma medalha.
Muitas empresas adotam as chamadas "stock options", títulos de ações
da empresa em um valor a ser resgatado no futuro caso o funcionário continue
na empresa. Este tipo de incentivo é muito eficaz em manter os bons talentos
dentro da organização desde que realizados com clareza e meritocracia.
Aliás, qualquer que seja o incentivo, este deve ser grande o bastante
para fazer a diferença, caso contrário, não há incentivo, apenas boa
vontade sem real compromisso por parte da organização.
Por isso, bons programas de incentivo são muito importantes. E assim,
sejamos justos, importantes demais para serem deixados apenas sob a responsabilidade
dos executivos da área de Recursos Humanos. Eles devem ter sua elaboração
compartilhada com a intensa participação dos mais altos responsáveis
pela organização, possivelmente pelos próprios acionistas. Na prática,
o que acontece é que os altos executivos, no máximo, aprovam as políticas
de incentivo apenas com vistas ao curto prazo e sem uma visão estratégica
atrelada a este importante instrumento de gestão da inovação.
Dois cuidados importantes devem ser tomados
com relação aos programas
de incentivos: primeiro, a organização pode conseguir o que está premiando,
mas não o que esperava alcançar e, segundo, os incentivos podem não ser
suficientemente flexíveis para promover as mudanças necessárias dentro
da organização. Ou seja, deve-se pensar cuidadosamente sobre o assunto
para não perder os valiosos recursos aplicados no seu programa de incentivos.
Agora que você tem pessoas motivadas a utilizar a imaginação e, possivelmente,
gritando Eureca! Eureca! em nome da organização, precisa preocupar-se
em descobrir a pureza do ouro das suas inovações, ou seja quais são as
suas melhores idéias.
E-mail: http://jc.uol.com.br/2007/06/12/not_141625.php
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