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16/Set/2008 - Conceitos da política de RH

Por Eudio Bráz do Amaral *

.Para estar preparado para as boas políticas de recursos humanos e aplicá-las efetivamente – entendendo política no sentido amplo de uma gestão empresarial e do ser humano –, convém, antes de mais nada, e em benefício da clareza, conceituar política. Segundo Toledo (1986), “política de recursos humanos, embora possa conter certos aspectos institucionais e permanentes, deve possuir grande flexibilidade” (concordando com Albuquerque – 1987), “política como opção por uma ou mais das diversas alternativas de ação que levem a empresa a atingir determinado objetivo, considerando-se as restrições existentes”. É a forma como se voltam as suas habilidades e competências únicas para uma crescente economia globalizada, em que as oportunidades ditam o caminho das empresas de conhecimento intensivo e de gestão competitiva global.

. A política de recursos humanos pode também ser confundida, às vezes, com a política de pessoal, que é o conjunto de normas (leis do direito do trabalho) que regem as relações formais entre os empregados e uma empresa. É uma série de princípios de caráter regedor das relações formais entre patrões e empregados, não possuindo, portanto, o caráter técnico da política de recursos humanos. Essa análise do meio ambiente organizacional em função da empresa leva ao estabelecimento de rumos de ação e estratégias, com respectiva alocação de recursos, o que resulta no desenho da estratégia da empresa para fazer frente às turbulências e pressões de competitividade e produtividade, qualidade e soluções inovadoras para sobreviver e perpetuar a empresa deste novo milênio.

..Qualquer escolha verdadeiramente estratégica sobre políticas de RH que queiramos determinará sempre renúncias. Além do mais, para ser eficaz, deverá a política de recursos humanos ser conseqüência, e não postulado. Uma política simplesmente enunciada, sem o crivo da análise crítica de sua inserção nos quadros locais e globais, serve apenas para estabelecer as cores das paredes do 30º andar antes de saber se o terreno poderá sustentar o prédio, ou se vai faltar concreto para as fundações. Devemos propor, antes de estabelecê-la, algumas perguntas, a fim de definir sua base conceitual, usando a capacidade multidisciplinar da organização, e criar questionamentos racionais e efetivos com todo o corpo de ser humano da empresa – inclusive o estratégico.

Requer-se, portanto, trabalho diligente e atitudes a serem observadas, quando estabelecer boas políticas de recursos humanos, como: valorização do ser humano no que diz respeito ao seu crescimento, oportunidades de crescimento profissional, oportunidades de liberação do potencial criativo, definição de expectativa de atuação e papéis e desenvolvimento de carreiras, respeito à pessoa humana e à individualidade, ética na relação com os colaboradores em geral, com regras claras e transparentes, envolvimento, engajamento e comprometimento, pessoas proativas e empreendedoras, comprometidas com os valores da empresa, receptividade a mudanças (vale salientar que toda a liderança deverá estar aberta para a gestão humanística e do comportamento, horizontal e vertical).

. Neste novo milênio, nenhum esforço incompleto será bem-sucedido. Em todo nosso trabalho na informalidade trabalhada, na pouca burocracia, na agilidade para administrar estas questões de forma efetiva e eficaz, democraticamente, devemos sair em busca de parcerias com sabedoria. Planos sábios têm que ser ideados, a fim de que esse trabalho seja feito com o melhor proveito possível.

.É nessa perspectiva que as análises não são suficientes para consolidar as políticas estratégicas de recursos humanos. Não bastam as boas políticas de recursos humanos: elas devem servir como ilustrações do princípio geral da flexibilidade que, na análise de estudiosos da psicologia organizacional e do ser humano, de empresas públicas ou privadas, significa que as percepções humanas tanto afetam os eventos quanto são afetadas por eles.

As premissas complementares de políticas de recursos humanos dizem respeito à qualidade e produtividade, ou seja, comprometimento com os valores da organização, orientação para o mercado e negócios, reconhecimento pelo desempenho, avaliação ou gestão de análise de desempenho individual ou coletivo (participação nos lucros e resultados) e qualidade dos produtos e serviços. A sinergia eficaz é o complemento estratégico destas premissas que são integradoras entre a cúpula corporativa e colaboradores da base da pirâmide, consolidando o processo com parcerias necessárias à evolução organizacional.

É, porém, necessário que esse ambiente organizacional (sadio) seja condição sine qua non para apresentar ao trabalhador e parceiros da entidade organizacional o clima e instalações que estimulem produtividade e motivação numa espiral crescente, satisfação do cliente, envolvimento na gestão empresarial, visão corporativa para líderes – visão sistêmica –, um conjunto de informações a respeito da organização, tais como: o produto ou serviço, a estrutura organizacional, políticas de pessoal, salários (remuneração), benefícios, regulamentos trabalhistas, entre outras. Seu objetivo principal é reduzir o impacto do desconhecido sobre o iniciante (ser humano), acelerando sua integração e, como objetivo subjacente, o gerenciamento efetivo do turnover (rotatividade), a fim de que se motive o ser humano para sua parceria na contribuição dos resultados participativos. O círculo deve crescer até que rodeie a organização.

. Em suma, o que fazer e o que evitar para que as políticas de recursos humanos sejam frutíferas é o que sugerem as tendências comportamentais mundiais e os novos conceitos para a gestão competitiva: habilidades e competências, gestão do conhecimento, criatividade para os outros modos de fazer boas políticas de recursos humanos – como a rede de relacionamentos –, integração empresarial em todos os níveis da empresa, empresas e planos formulados para o trabalho em equipe através da nova estratégia comportamental e do ser humano que, com certeza, é o grande diferencial deste início de século XXI.

* Eudio Bráz do Amaral é consultor organizacional com pós-graduação em Gestão Estratégica de Recursos Humanos - e-mail: eudioba@uol.com.br

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