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Por Professor Munhoz
.1 - Por que todos os executivos
de seus livros têm um comportamento patético?
Provavelmente, nem todo executivo é patético, embora grande parte seja.
Existe um tipo particular de personalidade que é atraído ao mundo corporativo — e
não um tipo que eu chamaria de feliz e saudável. Estou falando de gente
com capacidade de subserviência ao sistema e poder de anular a humanidade
dos companheiros de trabalho acima da média.
2 - O mundo corporativo é pior hoje do que
há 20 ou 30 anos?
Há poucas décadas, não era comum que o único objetivo de uma média ou
grande empresa fosse o lucro máximo. Claro que empreendedores como Rockefeller
e Ford lutavam para obter lucro, mas eles se preocupavam com os trabalhadores,
suas famílias e o lugar de seu empreendimento na sociedade. Hoje, assim
que uma companhia fica grande, o dono a entrega a financistas ou abre
o capital para extrair lucro máximo ao mínimo custo.
3 - Essa não é uma visão muito romântica
de antigamente?
Não é que as coisas fossem mais fáceis para os empregados — em geral,
as condições de trabalho eram piores. A diferença mais interessante é que
Ford e Rockefeller dirigiam corporações, enquanto hoje as corporações
dirigem as pessoas.
4 - Que mudanças gostaria de ver no mundo
dos negócios?
Sou um pouco pessimista em relação a isso. Para fazer uma mudança significativa
na natureza das companhias, teríamos de deixar de colocar o lucro em
primeiro lugar, e sinceramente não acredito que alguém esteja disposto
a fazer isso. Pequenos negócios privados até poderiam fazer, mas não
os grandes — não, se quiserem sobreviver.
5 - Por que os funcionários não têm o poder
de realizar essas transformações?
Pessoas são um péssimo ativo. Elas são um risco, nem sempre fazem o que
você manda, pedem demissão, ficam doentes, fazem ligações pessoais em
horário de trabalho, reclamam... As companhias iriam preferir robôs que
pudessem ser ligados de manhã, fizessem exatamente o que fossem mandados
fazer e pudessem ser guardados num armazém à noite.
6 - Qual dos rituais do mundo corporativo o senhor considera mais absurdo?
Reorganizações. As companhias são viciadas nelas. Deixam todos estressados,
destroem a produtividade por semanas ou meses e, em geral, terminam não
dando o resultado esperado.
7 - Os departamentos de recursos humanos não deveriam estar mais atentos
a essas questões?
Ninguém percebe que a expressão “recursos humanos” é um insulto? Tenho
empatia com as pessoas que trabalham nesses departamentos. Não é fácil.
Elas têm de moldar todos os funcionários dentro de um padrão determinado
pela companhia para que possam ser programados para certas tarefas. Mas
o nome que se dá a essa tarefa é terrível. Se os alienígenas viessem
para a Terra e fizessem um cultivo de pessoas para colher nossos sucos
essenciais, eles nos chamariam de “recursos humanos”.
O pior é que o cara está coberto de razão ! E na página da Exame que
reproduz a entrevista impressa , o que me intrigou foram os comentários
de leitores.
O comentário da leitora Simone de Almeida e Silva é pândego: "Com
todo respeito ao Sr.Barry, encaro sua afirmativa de que as pessoas são
um péssimo ativo como um insulto à sabedoria humana. A questão é q para
se iniciar uma transformação exige sacrifício, renúncia, comprometimento,
responsabilidade, o que a maioria das pessoas não estão disposta a fazer.
O q falta são verdadeiros "líderes" q tenham a capacidade de induzir às
pessoas a promoverem melhorias."
Ela queria discordar daquilo que o entrevistado afirmara, mas o argumento
que ela usou, a despeito dos erros gramaticais, só reforçou aquilo que
o Max Barry disse: se a maioria das pessoas não está disposta a fazer
aquilo que é necessário para se iniciar uma transformação (ela lista
sacrifício, renúncia, comprometimento etc), então a afirmação de que
as pessoas são um péssimo ativo é corretíssima !
Na edição seguinte da revista, foi publicada
uma carta de outro leitor, que afirma o seguinte: Com
a experiência de consultor de empresas, não
concordo com nenhuma palavra de Max Berry [sic],
entrevistado na seção Sete Perguntas. Ao afirmar
que as pessoas são um péssimo ativo para as
empresas, Barry contradiz sem nenhum fundamento
e contextualização os mais modernos pensamentos
do mundo corporativo.
Não sei que tipo de "fundamento e contextualização" o
leitor esperava numa entrevista composta de
7 perguntas, a ser publicada em no máximo 1
página de uma revista que há anos deixou de
prezar o aprofundamento de qualquer questão,
mas espero que o leitor Marcos Castro não esteja
se referindo a obras como "Quem mexeu no meu
queijo", "O monge e o executivo" e outros petardos
da "iguinorânssia" quando menciona "pensamentos
do mundo corporativo". O que será que ele quis
dizer com isso ?
Interessante mesmo é o argumento do leitor
para rebater as afirmações do entrevistado:
nenhum. Basta dizer que não concorda, e que
o entrevistado "contradiz (...) os mais modernos
pensamentos do mundo corporativo". Ora, que
o entrevistado faz isso eu soube na hora que
li a entrevista !
Precisava dizer ? Aliás, se ele apenas dissesse, na entrevista, que concorda
com todas as bobagens que são publicadas sobre este assunto, não haveria
rigorosamente nenhuma razão para entrevistá-lo......
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