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por Armindo
dos Santos de Sousa Teodósio*
Introdução
As discussões recentes no campo das Ciências Gerenciais, tanto na esfera
acadêmica quanto no âmbito das práticas produtivas concretas, têm relegado
lugar de destaque ao chamado Terceiro Setor. Multiplicam-se as publicações,
seminários e debates cujo foco é discutir a relevância, as especificidades
e a natureza das organizações que atuam nesse campo. Os conceitos associados à idéia
de Terceiro Setor são amplos, imprecisos e até mesmo contraditórios entre
si. No entanto, nesse momento é importante partir de uma definição mínima
sobre o termo. Sendo assim, entende-se por Terceiro Setor uma gama variada
de organizações que vão desde entidades sem fins lucrativos, instituições
filantrópicas, fundações, projetos sociais ligados a empresas, dentre
outras, e tendo como destaque as chamadas Organizações Não- Governamentais
(CARRION, 2000).
Isso se torna preocupante quando se percebe
que, para aqueles aos quais essa discussão a princípio mais interessaria, os envolvidos com projetos
sociais, Terceiro Setor não passa de um termo vago, impreciso ou, então,
carrega o tom de apanágio para suas iniciativas/movimentos. As soluções
advindas das novas abordagens sobre Terceiro Setor estariam basicamente
ligadas ao mundo da gestão, criando um caminho fácil e rápido para o
alcance de metas sociais, equilíbrio financeiro, avaliação precisa de
projetos sociais, perenidade organizacional e principalmente mobilização
de voluntários, dentre outras virtudes organizacionais.
Na verdade, Terceiro Setor se transformou numa
daquelas palavras que explicam tudo e não explicam nada, carregando muitas contradições em
si. Uma delas, talvez a mais importante, é que Terceiro Setor virou sinônimo
de modernização da ação social voluntária ao mesmo tempo que o que mais
se discute é justamente a necessidade de modernização gerencial do próprio
Terceiro Setor. Diante de um clima de tamanha euforia com esse novo conceito
e lembrando que essa verdadeira “febre” do Terceiro Setor n ão se restringe
apenas ao Brasil, mas também é observada nos países capitalistas centrais,
em especial os Estados Unidos (RIFKIN, 1995; SALOMON, 1998), cabe resgatar
as palavras de Nelson Rodrigues: “ O brasileiro tem alma de cachorro
de pelotão; aparece uma palavra nova e tudo mundo sai atrás”.
Sendo assim, torna-se urgente discutir os mitos, dilemas e perspectivas
que se encontram na mobilização organizada da sociedade civil, ou melhor,
do voluntariado no âmbito da gestão do Terceiro Setor.
E-mail: http://www.rits.org.br/gestao_teste/ge_testes/ge_mat01_rhtxt6.cfm
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