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Quem já viveu a experiência
de receber o bilhete azul sabe: ser demitido é algo doloroso e
difícil, por mais estruturado que o indivíduo seja. A notícia afeta
a auto-estima, quebra uma rotina conhecida, desorganiza o cotidiano.
Há, no entanto, aspectos muito positivos no fato de se ver diante
da construção de um novo começo. Quando as amarras se soltam, a
embarcação fica apta a percorrer outros caminhos, por vezes muito
mais prazerosos e realizadores.
Em busca de uma pretensa segurança, alguns profissionais investem energia
na procura de um emprego exatamente nos moldes do anterior. Querem mais
do mesmo, e a preocupação é a de substituir o sobrenome corporativo por
outro equivalente – ou, de preferência, melhor. Algumas vezes isso até ocorre,
mas nem de longe é a regra. O mundo do trabalho mudou, o número de posições
diminuiu e a forma de contratação dos talentos também se transformou.
Quem insiste em determinadas soluções e não abre o leque se priva de
enxergar outras possibilidades de ocupação, renda e satisfação profissional.
Mal comparando, age como o jogador de canastra que se arma para fazer
uma realíssima e, na crença de estar focado, perseguindo um objetivo,
não enxerga o ambiente, perdendo a partida por ficar teimosamente esperando
o sete belo. A falta de flexibilidade não lhe permite mudar o jogo e,
assim, ele acaba “morrendo na praia”.
Muitas são as histórias de profissionais que, no processo de transição
de carreira, persistem na ótica míope. O tempo passa, os recursos financeiros
se esvaem e chega o desespero. Nesta hora, a atividade auto-empresariada
ganha status de saída redentora... e as chances de insucesso se multiplicam.
A razão é simples: não se trata de uma decisão consciente, maturada ao
longo da travessia, mas de uma resposta que surge da falta de alternativa.
Trabalhar por conta própria tem de ser uma opção, e não um recurso extremo
delineado na ausência de melhores perspectivas. A atividade empreendedora
constitui, sim, uma forma interessante de dar prosseguimento à carreira.
Para os mais precavidos, tem sido o “Plano B” tocado paralelamente. Além
de ajudar a enfrentar eventuais reviravoltas no trajeto principal, constitui
um investimento interessante para garantir trabalho e renda hoje e, principalmente,
no futuro.
A ação empreendedora encontra várias formas de expressão, seja a abertura
de um negócio próprio, a compra de uma franquia, o trabalho como consultor
ou a atuação na área acadêmica. Não existem receitas prontas, mas há um
roteiro que ajuda na escolha da vertente que melhor se adapta ao perfil
de cada um. A realização de um check-up de vida e carreira, por exemplo,
imprime maior assertividade às escolhas, pois permite verificar interesses,
inclinações, vocações e talentos. A lição de casa inclui uma auto-avaliação
sincera para identificar pontos fortes, limitações, potencial, estilo
e aspirações. Também é essencial proceder a uma leitura abrangente e
realista do mercado, fundamentada em um criterioso levantamento de informações.
Vivemos em um mundo em que, independentemente
da existência ou não de
um contrato formal de trabalho, todos somos prestadores de serviços.
Empreender faz parte do script, porque já não basta servir bem. Para
se manter competitivo, é preciso servir cada vez melhor. Como se vê,
trata-se de um desafio e tanto, uma vez que nosso patamar de exigência – e
o dos outros, incluindo possíveis empregadores e tomadores de serviços – segue
ganhando força, elevando-se progressiva e continuamente.
E-mail: http://www.rhcentral.com.br/pen/pen.asp?ano=10&numero=107&pagina=12
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