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13/out/2008 - Recursos humanos "Programas de Incentivo ao Voluntariado: Novos Desafios para Ética Gerencial"

por Armindo dos Santos de Sousa Teodósio*

Introdução

As discussões recentes no campo das Ciências Gerenciais, tanto na esfera acadêmica quanto no âmbito das práticas produtivas concretas, têm relegado lugar de destaque ao chamado Terceiro Setor. Multiplicam-se as publicações, seminários e debates cujo foco é discutir a relevância, as especificidades e a natureza das organizações que atuam nesse campo. Os conceitos associados à idéia de Terceiro Setor são amplos, imprecisos e até mesmo contraditórios entre si. No entanto, nesse momento é importante partir de uma definição mínima sobre o termo. Sendo assim, entende-se por Terceiro Setor uma gama variada de organizações que vão desde entidades sem fins lucrativos, instituições filantrópicas, fundações, projetos sociais ligados a empresas, dentre outras, e tendo como destaque as chamadas Organizações Não- Governamentais (CARRION, 2000).

Isso se torna preocupante quando se percebe que, para aqueles aos quais essa discussão a princípio mais interessaria, os envolvidos com projetos sociais, Terceiro Setor não passa de um termo vago, impreciso ou, então, carrega o tom de apanágio para suas iniciativas/movimentos. As soluções advindas das novas abordagens sobre Terceiro Setor estariam basicamente ligadas ao mundo da gestão, criando um caminho fácil e rápido para o alcance de metas sociais, equilíbrio financeiro, avaliação precisa de projetos sociais, perenidade organizacional e principalmente mobilização de voluntários, dentre outras virtudes organizacionais.

Na verdade, Terceiro Setor se transformou numa daquelas palavras que explicam tudo e não explicam nada, carregando muitas contradições em si. Uma delas, talvez a mais importante, é que Terceiro Setor virou sinônimo de modernização da ação social voluntária ao mesmo tempo que o que mais se discute é justamente a necessidade de modernização gerencial do próprio Terceiro Setor. Diante de um clima de tamanha euforia com esse novo conceito e lembrando que essa verdadeira “febre” do Terceiro Setor n ão se restringe apenas ao Brasil, mas também é observada nos países capitalistas centrais, em especial os Estados Unidos (RIFKIN, 1995; SALOMON, 1998), cabe resgatar as palavras de Nelson Rodrigues: “ O brasileiro tem alma de cachorro de pelotão; aparece uma palavra nova e tudo mundo sai atrás”.

Sendo assim, torna-se urgente discutir os mitos, dilemas e perspectivas que se encontram na mobilização organizada da sociedade civil, ou melhor, do voluntariado no âmbito da gestão do Terceiro Setor.

E-mail: http://www.rits.org.br/gestao_teste/ge_testes/ge_mat01_rhtxt6.cfm


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