E
para essa empresa está indo André, um novo funcionário, contente
por ter conseguido trabalho depois de nove meses desempregado.
Feliz, mas ansioso com a recepção dos colegas e com sua performance.
Já na portaria tem uma surpresa desagradável - fica à procura
de abrigo da chuva por trinta minutos, aguardando autorização
para entrar. O porteiro não foi avisado, portanto não sabia que
ele era um novo colaborador.
André já sentiu uma certa decepção, mas pensando no desemprego, procurou aceitar
naturalmente o ocorrido. Estava nesse momento mais preocupado com a sobrevivência
e segurança de sua família.
Foi finalmente encaminhado ao local de trabalho. Seu chefe não estava para recebe-lo.
Um colega, apressadamente, o apresentou à equipe, deu-lhe um manual de normas
e políticas, orientando-o na leitura para que pudesse conhecer a “nossa empresa”.
Um mês se passou e André ainda não conhecia todos os colegas. Foi informado de
que os funcionários eram chamados de colaboradores, ou seja, eram parceiros da
empresa.
Nos primeiros três meses, André esforçou-se bastante para se integrar e aprender
suas tarefas, pois se lembrava da segurança que precisava dar à família com aquele
emprego.
Além disso, como era inteligente, competente, simpático e acolhedor, conquistou
os colegas e foi rapidamente aceito.
Já dominando suas tarefas e tentando ser de fato um colaborador da empresa, resolveu
dar ao seu chefe uma sugestão de melhoria em um processo de trabalho. O que ouviu
do chefe? “Deixe como está, sempre funcionou assim. É melhor não mudar, pois,
vão pensar que até agora trabalhamos de forma errada.”
Além disso, não recebeu do chefe nenhum feedback sobre seu desempenho, mas também
nenhuma reclamação.
Passado algum tempo, foi se tornando um colaborador mediano, para não dizer medíocre,
como vários outros. Sua motivação estava voltada exclusivamente para a manutenção
da sobrevivência da família e aceitação dos colegas.Seus conhecimentos, experiências
e idéias não eram valorizados.
Fatores altamente motivacionais como reconhecimento, auto-estima e auto-realização
permaneciam distantes do dia-a-dia daquele ambiente de trabalho.
Daí a questão fundamental – onde está a motivação para se trabalhar bem, para
ser um profissional interessado pela sua atuação e pela própria empresa?
Fundamental: mantenha um olhar crítico. Dê uma volta pelos departamentos. Observe
como está o clima entre os colaboradores. Veja se a maioria não está se tornando
como o André apático de hoje, aquele mesmo André que ingressou altamente motivado
para contribuir com o desenvolvimento da empresa e, conseqüentemente, o seu próprio...
Século XXI, ano 2003, mercado altamente competitivo, pautado por constantes mudanças
na economia mundial e avanços nas tecnologias de informação e nas comunicações.
Portanto, se faz necessário desenvolver negócios com um diferencial competitivo.
Não permita que os colaboradores de sua empresa sejam tristes, apáticos e desmotivados,
pois são eles que fazem a diferença! Tecnologia não funciona sem gente para impulsiona-la,
por mais avançada que seja...
As empresas estão investindo em softwares de última geração para obter informações
relevantes ao seu negócio, evidentemente para ter maior agilidade e precisão,
o que é claramente necessário e estimulante. Nesse sentido, as empresas similares
estão se igualando no que diz respeito à tecnologia.
Então, onde está a vantagem competitiva? As empresas estão percebendo que somente
o desenvolvimento tecnológico é insuficiente, porque na maioria das vezes, as
soluções dos problemas organizacionais exigem criatividade e experiências especificas,
armazenadas no cérebro de seus colaboradores. Portanto, a vantagem competitiva
do negócio está nas pessoas.
E o que fazer para que os colaboradores disponibilizem suas experiências, conhecimentos
e habilidades, no dia-a-dia do trabalho? O sucesso está na valorização das pessoas,
reconhecendo-as como organismos vivos e atuantes, que possuem um capital intelectual
altamente agregador de valores aos resultados da empresa. Isto é o que se chama
Gestão do Conhecimento. Não somente gerenciar tecnologias, processos, relacionamento
com clientes e com o mercado, mas principalmente, gerir os conhecimentos que
estão dentro de cada colaborador, sem esquecer que a disponibilização desse conhecimento
depende exclusivamente da motivação de cada um, pois a vontade é interna, vindo
de dentro para fora; por isso o querer é fundamental.
Cabe à empresa criar o ambiente propício e estimulante para despertar a necessidade
e o desejo nas pessoas para agirem com foco nos objetivos esperados do negócio. É preciso
desenvolver um ambiente organizacional de aprendizagem constante.
Portanto, se você quer ter na sua empresa colaboradores motivados e comprometidos
com seu negócio, desenvolva ações de Gestão de Pessoas que, os levem a:
• Gostarem do que faz.
• Sentirem-se incluídos na empresa.
• Sentirem-se com autonomia no seu trabalho.
• Sentirem-se desafiados para atingir metas.
• Sentirem que seu trabalho é importante.
• Sentirem-se num clima agradável, bem humorado.
• Sentirem que o chefe está contente com o seu trabalho e com eles.
• Sentirem-se valorizados e ouvidos em suas idéias.
Dessa forma, com certeza, ao final de 2003, sua empresa não terá somente “amigos
secretos”, mas pessoas visivelmente felizes por trabalharem onde se valoriza
de verdade os seres humanos com seus sentimentos, emoções, alegrias, tristezas,
ganhos, perdas, esperanças... Feliz ano novo!!!!
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