As doze crenças limitantes

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CRENÇAS LIMITANTES? QUEM NÃO TEM?

O QUE FAZER COM ELAS?

 

São perguntas que todos nós devemos nos fazer.

Hoje tornou-se comum dizer que nossas crenças limitantes são culpadas de tudo. Elas nos impedem de sermos bem sucedidos nas diversas áreas das nossas vidas, bloqueando nossas iniciativas para correr riscos na superação de resultados.

 

Mas, o que são crenças limitantes? São padrões rígidos e repetitivos que formatam seus pensamentos e seus sentimentos, determinando comportamentos repetitivos e padronizados, dando origem aos hábitos.

A psicologia nos ensina que o primeiro passo para mudar essas crenças é tomar consciência quais são e os impactos que têm em nossa vida.

É isso que desejo fazer com você: uma reflexão e tomada de consciência.

Quero lhe mostrar as crenças irracionais, rígidas e disfuncionais identificadas pelo psicólogo Dr Albert Ellis, pai da terapia Racional–Emotiva Comportamental (TREC) e Terapia Cognitiva (TC), e que foram analisadas por mim, no meu livro “O EMOCIONAL INTELIGENTE”.

Vamos a elas:

  1. A ideia de que existe extrema necessidade de qualquer ser humano adulto ser amado ou aprovado por qualquer outra pessoa significativa em sua comunidade.

Comentário: A necessidade de ser amado e aceito por pessoas significativas é inerente à natureza humana, porém quando a necessidade é excessiva até o ponto de você fazer tudo para agradar ao outro, podemos dizer que seu comportamento é determinado por essa crença irracional. O ideal é que você se concentre no auto-respeito, que pense em amar mais do que ser amado e, finalmente, busque a aprovação do outro, quando necessário.

  1. A ideia de que se deva ser inteiramente competente, adequado e realizador em todos os aspectos possíveis para ter valor, ou seja, você tem que ser perfeito em tudo.

Comentário: Essa crença reforça uma distorção do pensamento que é “tenho que ser perfeito”. A busca pelo perfeito é incansável, estressante e longa.

A verdade é que somos bons em muitas coisas, mas não em tudo. A ideia da interdependência no trabalho existe exatamente para mostrar que as pessoas têm talentos e limitações. Estimular a cooperação entre elas tem o intuito de juntar talentos e produzir coisas e ideias criativas.

A interdependência ajuda os profissionais a serem inteiros, colocando à disposição talentos específicos de cada um e criando uma relação dependente entre eles, sendo ligados pelas limitações normais do ser humano: ninguém sabe tudo, todo o tempo. Cada profissional, em sua individualidade, tem aptidões e talentos para algumas coisas. E, juntos, os talentos são sinérgicos.

  1. A ideia de que é terrível e catastrófico quando as coisas não são do jeito que gostaríamos que fossem. A ideia de que há invariavelmente uma solução certa, precisa e perfeita para os problemas humanos e que é catastrófico se essa solução perfeita não é encontrada.

 Comentário: É comum verificar essa crença circulando no ambiente de trabalho. Você percebe um colega agindo com base nessa crença quando existe o catastrofismo, que transforma um pequeno problema em uma catástrofe. Exemplo “Meu Deus, e agora, o cliente vai embora!” Um profissional que se baseia nessa crença não aceita que a situação não está como ele queria, e assim pode manifestar comportamento inflexível, similar à teimosia. Depois de muito argumentar, o profissional fica irritado e contrariado ao perceber que não conseguiu apresentar argumentos suficientes para convencer as pessoas a “comprarem” sua ideia. Normalmente ele tem dificuldade de ouvir, uma forma defensiva de não se submeter às ideias do outro.

Essa crença é incorporada ao modelo mental de um profissional cuja fase do controle, na idade infantil, não ficou bem desenvolvida, sendo provável que ele viva uma sensação de incômodo ao perceber uma suposta perda de controle da situação.

O ideal é colocar no modelo mental a ideia de que é desagradável quando as coisas não são do jeito que você queria e que você pode tentar mudar ou controlar as condições para que elas sejam mais satisfatórias. Porém, se a mudança é difícil, será melhor a resignação, em vez de sofrer por algo no qual você não pode interferir.

  1. A ideia de que certas pessoas são más, perversas e “velhacas” e que elas deveriam ser severamente responsáveis e punidas por sua maldade.

Comentário: Na empresa, existem profissionais que levam a sério essa crença. Criam rótulos e preconceitos com base no comportamento inadequado de um colega e, a partir dessa única percepção, estabelecem uma relação de inimizade e exclusão, promovem conflitos inúteis e perdem o foco principal, que são os resultados. E tenha certeza, a raiva é a força propulsora de toda a campanha de exclusão.

É uma crença irracional, porque parte de uma ideia generalizada e preconceituosa sobre o ser humano. O ideal é acreditar que um ato inadequado ou um comportamento antissocial pode ser apenas um deslize da pessoa. Não cabe a você executar uma punição severa, porém é aconselhável que você não deixe seus valores e costumes serem agredidos por um ato ofensivo.

  1. A ideia de que a infelicidade humana é externamente causada e que as pessoas têm pouca ou nenhuma habilidade para controlar seus infortúnios e distúrbios.

Comentário: Na vida profissional, essa crença é a melhor “muleta” para ficar na passividade. Quando não está contente com o trabalho, o profissional, em vez de questionar e pedir mudanças, aceita a infelicidade porque acredita que a vida é assim mesmo, e o trabalho, por si, é pesado e estressante. Essa crença é irracional porque tira do ser humano o direito de fazer escolhas e de interferir na própria vida. É comum ouvir de pessoas que adotam essa crença frases do tipo: “Foi Deus quem quis assim, não posso fazer nada”, “Esse é meu carma, não posso interferir”. E saiba, a forma como você enxerga a vida é que sustenta a infelicidade humana.

  1. A ideia de que, se alguma coisa é ou pode ser perigosa ou assustadora, deve-se ficar terrivelmente preocupado e ficar “ruminando” sua possível ocorrência.

Comentário: Essa crença é irracional porque estimula o aparecimento do pessimismo e da ansiedade e por isso faz a pessoa sofrer por antecipação, por algo que não aconteceu. Além de irracional, é desagradável conviver com alguém que fica ruminando e é pessimista. Essa crença, sendo frequentemente estimulada, pode levar uma pessoa a sentir a vida como uma eterna ameaça.

Uma comunicação institucional confusa e ameaçadora é um estímulo para impregnar o ambiente de trabalho com essa crença, gerando boatos. Essa crença desperta a dúvida e as pessoas ficam terrivelmente preocupadas com a falta de informação sobre o fato em pauta.

O ideal é acreditar que se algo é perigoso, o melhor é enfrentá-lo com firmeza e acabar com o perigo. Se isso não for possível, no mínimo pare de ruminar e pense em algo melhor.

  1. A ideia de que é mais fácil evitar certas dificuldades ou responsabilidades da vida do que enfrentá-las.

Comentário: Essa crença define a postura de muitos profissionais que não querem correr riscos ou porque lhes falta coragem para encarar os problemas do dia a dia da organização, preferindo ficar à mercê da vida. Essa crença é irracional porque tira do ser humano a responsabilidade por si e estimula o comportamento de fuga, e não a solução do problema ou da dificuldade.

Pode-se perceber essa crença no comportamento de um chefe, por exemplo, que em vez de dizer a verdade promete uma promoção ao colaborador porque não tem coragem de dizer que seu desempenho é medíocre. Conclusão: a promoção não acontece, o colaborador não melhora em suas competências, pois não recebeu o feedback verdadeiro e, quem sabe, pode ser demitido por incompetência.

Ele não encara a situação difícil de, inicialmente, dar o feedback por medo de desagradá-lo, acreditando que é mais fácil deixar para depois. Quantas vezes agimos dessa forma, evitando e não resolvendo uma situação, e o problema se agrava cada vez mais.

O ideal é pensar que o caminho fácil é o mais duro e que a única maneira de resolver problemas difíceis é enfrentá-los com firmeza.

  1. A ideia de que se deva ser dependente dos outros e de que é necessário alguém mais forte em quem se apoiar.

Comentário: Essa crença reforça a postura frágil e de dependência em suas relações de trabalho. Impede o profissional de mostrar sua força maior, que é a independência com maturidade. O profissional que se apoia nessa crença normalmente é inseguro e lhe falta autoconfiança para andar com seus pés, tomar as próprias decisões e enfrentar as turbulências do cotidiano do trabalho.

É comum ver nas empresas comportamentos de chefes, que se dizem gestores, e que exercem seu poder de influência através de posturas agressivas e/ou paternalistas, tornando evidente a vantagem de a equipe se apoiar em alguém mais forte e que tem um cargo superior. Ao adotar essa crença, o profissional optou pelo caminho mais fácil, e não quis correr o risco de contrariar a vontade do chefe, reforçando em si algumas outras crenças irracionais.

  1. A ideia de que a história passada de alguém é um determinante definitivo de seu comportamento presente e se algo afetou uma vez fortemente sua vida, isso continuará tendo indefinidamente um efeito similar.

Comentário: Se você tiver em excesso uma das três necessidades: dependência, controle e competição, essa crença diz que você está predestinado a carregar esse fardo, e não pode interferir no passado para mudar o presente e o futuro. Se você tiver pendências a serem resolvidas sobre suas necessidades de dependência, controle e competição, a crença diz que você não tem solução e jamais conseguirá atingir sua maturidade emocional. Portanto, você está condenado a sofrer por causa de seus problemas da infância.

Vemos, no mundo corporativo, profissionais que são condenados a viver nas trevas por conta de um erro. Sofrem o preconceito e rótulo de incompetente e pagam pelo erro do passado. Não lhe é dada a chance de desenvolvimento e mudança de comportamento.

A crença adequada é aquela que ouvimos das pessoas maduras e ponderadas: “Aprenda com o erro e com a experiência passada e bola para frente. Não deixe que emoções do passado perturbem sua vida no presente.”

  1. A ideia de que se deva ficar transtornado com problemas e preocupações de outras pessoas.

Comentário: Essa crença contraria o direito do ser humano de escolher o que quer para si, inclusive de não querer se responsabilizar pelos problemas dos outros. Pois somente o dono do problema deverá resolvê-lo. Você pode dar sugestões e orientação, mas não tomar para si a ação de solucionar. E mais, você não ajudará em nada, pressionando-o para que mude seu comportamento.

  1. A ideia de que a felicidade humana pode ser alcançada pela inércia e inatividade.

Comentário: Quando você tem essa crença em seu modelo mental, é provável que tenha expectativas irrealistas sobre você e as pessoas, sendo grande fonte de raiva ver essas expectativas frustradas.

Essa crença é irracional se olharmos o que as pesquisas dizem sobre felicidade e bem-estar. Martin Seligman, em sua obra Felicidade Autêntica, mostra que uma crença adequada é acreditar que as pessoas tendem a ser mais felizes quando estão ativas e vitalmente absorvidas em ocupações criativas ou quando estão se dedicando a pessoas ou projetos fora de si mesmo.

12.Não se tem praticamente nenhum controle sobre as próprias emoções. Não se pode controlar as emoções que certos eventos nos causam.

Comentário: muito se fala atualmente sobre técnicas para gerenciar as emoções de forma inteligente. Daniel Goleman lançou o conceito de inteligência emocional que trata exatamente do nosso poder sobre as emoções, através do autoconhecimento e conhecimento do outro.

Vera Martins, autora do livro ‘ O EMOCIONAL INTELIGENTE”